quinta-feira, 22 de julho de 2010

andré, o pássaro

em minha casa os pássaros cantam a partir das 5h00.
é 1 estafa.
vou escrever hitchcock nas paredes do quarto e fazer 1 tatuagem 'amor de mãe'.
a ver se migram.

do andré, o pássaro gosto muito mais.
que esse não só me deixa dormir como canta para eu adormecer.

p.s. dás de comer às gaivotas?

terça-feira, 6 de abril de 2010

o rímel da chanel

foi para o lixo.
fiquei enervada como a merda e deitei-o ao lixo.
pá. desculpa. foi caro como a merda.

essas pastelarias feias. não sei não. deves andar a comer muita porcaria.

está sol e ainda não te vi com esta luz.
começo a sentir-me a porra duma dona de casa.

quinta-feira, 25 de março de 2010

cosméticos

agora nem tenho tempo para ir para cama,
ando a viajar por todo o lado
a conhecer os teus namorados.

agora nem tenho tempo para jantar,
compro bolos em pastelarias feias
e a rua é sempre um caminho que não acaba.

deixo-me ir com o vento e pode ser
que nos aconteça alguma coisa digna de ser
contada.

chove muito em todo o lado.

quarta-feira, 24 de março de 2010

dormi todo o dia. por isso não penses que vamos para a cama para dormir.

fiquei no sofá a contar as notas americanas.
levou 1 porrada de tempo a contar aquele dinheiro todo.
se não gostasse tanto de ti tinha para mim que estou a ficar capitalista.

hoje cozinho eu. e tu lavas a loiça.
e depois vamos logo para a cama.

quinta-feira, 4 de março de 2010

outro episódio

esta manhã andei com os pés na areia.

tinha uma coroa de louros e uma coroa de espinhos,
qual escolherias para ti?
o rogério nuno costa andava à minha volta
de óculos escuros
e um outro tipo com uma máquina de filmar
a tirar retratos.

também lá estava a rainha,
o pajem
e o povo.

tu,
no sofá
a dormir.

não achas que dormes demais?

eu não vou ver a bola

é que quando estás no café
ando eu na relva com os calções branquinhos.

chego a casa toda sujinha
vou para o banho
e depois adormeço no sofá.

quando acordo
já tu saiste para o café.

tem algum jeito?
por este andar vamos passar mais 1 mês sem pequeno-almoço na cama.

domingo, 21 de fevereiro de 2010

um café

na minha rua
há um café
onde todas as miúdas
vão ver a bola.

onde é que tu
andas
rapariga
que não te ponho
os olhos
em cima


há tanto tempo.

quarta-feira, 3 de fevereiro de 2010

soneto do pinote de hoje

chego a casa com os sapatos cheios de lama e
tu
deitada no chão da sala
água a escorrer até à porta de entrada

chego a casa com os sapatos cheios de lama
eu
os dias todos a trabalhar até ser noite
as noites todas a esperar que aparecesses

chego a casa com os sapatos cheios de lama e
um sorriso logo me cresce nos cantos da boca
não digo nada não, o que haveria a dizer

deito-me ainda sujo e suado, sim,
ao teu lado,
vamos dar pinotes, onde queiras, vamos dar pinotes.


silence is sexy

deita-me com cuidado na alcatifa peluda da sala.
e deixa-me lá a descongelar.

(não quero falar sobre aquele assunto)

vamos dar pinotes para o campo de abóboras do gajo da mercearia?
veste as calças aos quadradinhos e vamos.
vamos. vamos dar pinotes.

quinta-feira, 21 de janeiro de 2010

até ao teu regresso

não sei bem se agora o frigorífico é um lugar
ou um electrodoméstico.

sei que vou ficar quietinho a ver se oiço
algum som.

sei que vou dar passos pequeninos pela casa
até saber de ti.

não sei bem se agora o frigorífico é um lugar
ou uma metáfora.

sei que os meus versos ficam murchos
quando não choves.

sei que amanhã vais acordar em algum lado
que não aqui.

não sei bem se agora o frigorífico é um lugar
ou uma lágrima de pedra.

não quero ir ao lar do valter hugo mãe

quero ficar aqui no nosso frigorífico.

e também se me mexesse agora.
desfazia-me em gelo pelo chão da cozinha.
não quero ficar triste nem contente.
quero ficar assim.
não me interrompas.

feliz idade

no lar do valter hugo mãe, conheci o senhor antónio silva
diz que era barbeiro.

falei-lhe de ti
e ele ainda guarda a maquinaria numa malinha debaixo da cama.

logo à tarde
tiro-te do frigorífico

(parece que no frio a barba cresce mais depressa,
deve ser coisa de auto-defesa do ser humano)

e levo-te ao lar.

ele faz-te a barba
e tu ficas contente.

quarta-feira, 20 de janeiro de 2010

raios

não faças fita.
o senhor do supermercado nem me diz patavina.
e também parece que nem conheces as gajas.

vens mas é buscar-me ao frigorífico.
e levas-me para a cama como se eu fosse 1 gelado.
e depois comes-me.
que ciência!

frigoríficos e rapazes ciumentos

o peixe congelado é um bicho resistente às baixas temperaturas.
tu olhas para mim com os teus olhos frios.

até há pouco tremias o dente mas agora és como o hotel do pai natal
(tenho a certeza que há qualquer coisa de quentinho aí dentro de ti, porra)

e o senhor do supermercado começa a perguntar por ti -
eu não digo nada, eu não digo nada -
sei muito bem que ele só te conhece por causa das tuas pernas a saírem debaixo das saias cada vez que lá vais.

O peixe congelado é um bicho resistente às baixas temperaturas.
estava cansado de dormir com uma pedra ao meu lado na cama.

passo muito bem sem água, se é que queres saber.
deixei a chave entre o pacote de manteiga e o resto da cebola do jantar.

quando quiseres, podes sair.

terça-feira, 19 de janeiro de 2010

nordics do it better

depois de limpar o frigorífico tirei a roupa.
entrei lá para dentro e tu fechaste a porta.
como tinha pedido.

estou aqui há algum tempo.

sei muito bem que é assim que hei-de maturar.
mas de vez em quando lembro-me que deve ser 1 chatice
teres de ir às compras todos os dias.
e dá-me pena. porque sei o quanto gostas de gelados e água fresca.

quarta-feira, 13 de janeiro de 2010

lembrete

eu era do tempo em que os ursos de peluche e dos casacos polares.
na minha casa não se falava de amor, apenas de casamentos.
nunca pensei que uma coisa levasse à outra, ou vice-versa.

corrompi as estradas nevadas com lágrimas de sal.
abri as comportas do desejo.

e tudo isto enquanto tu te ias embora.

terça-feira, 12 de janeiro de 2010

tanto faz

podia casar-me agora contigo. tanto faz.
eu que não gosto de rituais.
podia aparecer-me 1 urso polar à porta de casa.
e eu ficava com ele para toda a vida.
tanto faz.

é como estar no meu próprio funeral.
e o sexo oposto possa tecer à minha volta.
que tanto me faz.

sou a desistente do ano.
morreu-me o homem essencial.
o amor. essas coisas.

isso agora. tanto me faz.

segunda-feira, 11 de janeiro de 2010

pequeno-almoço

esta noite fui visitado pelo espírito da Patty Faria.
ri-me até nascer o sol.
enquanto te passeias pela casa, eu fico sentado na sala a ver a televisão angolana.

tu ris e eu descanso as pernas.

um homem toma chá no prédio em frente e tenta descobrir-te as coxas despidas.

eu oiço uma mulher que canta.

domingo, 10 de janeiro de 2010

és engraçado

às vezes não faço sentido nenhum no que digo.
e só tu é que achas piada.
ou quando visto a camisola do avesso.

são 20h56 e vou tomar o pequeno almoço.

quinta-feira, 7 de janeiro de 2010

quero

eu quero ser o homem do lixo para quem tu não existes.
quero ser um bilhete de comboio, uma varina da nazaré, um restaurante que serve mal.
eu quero ser o boneco de chocolate numa árvore da vizinha,
quero ser uma tradução de finlandês.
eu quero ser a neve branca no telhado do primeiro-ministro,
quero ser o camião dos gelados,
quero ser a praia que os turistas desconhecem.

e, entretanto, para aqui estou, contigo, de gatas,
a varrer neve que não existe
a não ser no chão sujo da tua casa.

terça-feira, 5 de janeiro de 2010

e depois

sonhei. ou pensei. bem. estava com os olhos fechados.
sonhei que. havia muita neve.
e nós de gatas. a varrer a neve com as pestanas.
ficámos tão lindos.

boas festas

não vais acreditar.
arranjei 1 rímel de natal. branquinho.
fiquei com 1 pestanas lindas.
mas depois aquilo. não sei.
fiquei com os olhos fechados por uns dias.
pensava em nós e via tudo na mesma.
nós no patinho de borracha a caminho da praia de nudistas da Nazaré.
a vaquinha Milka e o burrinho de Miranda do Douro.
que desgraça.
já atirei com o rímel branquinho ao lixo.
já nem está na rua.
porque ainda agora ouvi os homens do lixo a assobiar o love me tender.