quinta-feira, 7 de janeiro de 2010

quero

eu quero ser o homem do lixo para quem tu não existes.
quero ser um bilhete de comboio, uma varina da nazaré, um restaurante que serve mal.
eu quero ser o boneco de chocolate numa árvore da vizinha,
quero ser uma tradução de finlandês.
eu quero ser a neve branca no telhado do primeiro-ministro,
quero ser o camião dos gelados,
quero ser a praia que os turistas desconhecem.

e, entretanto, para aqui estou, contigo, de gatas,
a varrer neve que não existe
a não ser no chão sujo da tua casa.

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